Posts de Outubro, 2008

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killer instinct

Outubro 20, 2008

acabo de matar uma barata. uma sensação de poder incrível, essa de exterminar um inseto asqueiroso. ela passou por aqui como quem não quer nada, e entrou debaixo do sofá. depois, voltou a perambular pela sala. num misto de pavor e coragem (?), lancei mão do tubo de raid – mata baratas e formigas, e taquei na bicha. no início, ela resistiu, continuou correndo pelo chão frio. eu não desisti, e afundei o dedo no spray. os resultados não demoraram. a vítima tombava cada hora pra um lado, meio tonta, dando voltas. num último suspiro, andou mais uns centímetros e virou de vez. com as patas pra cima, ainda se mexendo, achei melhor jogar mais raid, pra ver se a luta acabava mais rápido. minutos depois, ela ficou imóvel. e pude sentir o gosto doce da vitória contra o invertebrado mais nojento do mundo.

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love’s not a competition, but im winning.

Outubro 13, 2008

vamos deixar a ficção de lado? as horas passam e o sono não vem. e eu não consigo não pensar que tem milhares de coisas melhores do que lembrar de você. do que esperar o telefone, sem saber se vai tocar. não gosto dessa incerteza. não gosto de instabilidade. e, definitivamente, não gosto de joguinhos.

old habits die hard, e eu não acho que você tem o direito de ocupar tanto espaço nos meus pensamentos.

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on my mind…

Outubro 13, 2008

porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. é porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. e é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. é porque sempre tento chegar pelo meu modo. é porque ainda não sei ceder. é porque no fundo eu queria amar o que eu amaria – e não o que é. é também porque eu me ofendo a toa. é porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. é porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim.
talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente.

clarice lispector

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gone.

Outubro 7, 2008

não sabia como, só sabia que aquele sentimento não estava mais lá, e nem fazia falta. e também sabia que era tudo diferente. dessas coisas que podem mexer com a gente, com o frescor típico dos finais de tarde que passava na varanda, enquanto as luzes da cidade começavam a acender. tudo novo, de repente. e por mais que achasse terrívelmente assustadora essa história de pisar em terreno desconhecido, como que num campo minado, acabava por se deixar levar pelo sabor da descoberta.